GRAPETE...

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Eu era pequena, bem pequena. Não sei ao certo a idade, mas lembro como se fosse ontem. Meus  avós moravam numa casa de madeira verde, no bairro Partenon,  em Porto Alegre. Lembro do cheiro da casa... Incrível  como certas lembranças ficam impregnadas em nós. Essa é uma das lembranças mais caras da minha infância.

Lembro que meu avô me levava no armazém da esquina para tomar Grapete... Como era bom, doce e cheiroso... o Grapete? Não, o meu avô. Não consigo pensar em Grapete sem lembrar do meu avô.

E o melhor... ele contrariava todas as ordens das matriarcas da família que  proibiam qualquer guloseima antes do almoço... Lá ia meu avô, segurando minha mão pequenina, no armazém de secos e molhados tomar Grapete.

Afinal, a vida é feita de regras, certo? Muitos impedimentos são necessários para que as pessoas possam conviver. Sem regras as crianças comem fora de hora e não comem nada que presta. Para isso servem as mães, para colocar regras na mesa. Eu também fiz isso com meus filhos. É necessário, é correto, é seguro.

Aos pais cabe a tarefa de educar, aos avós cabem... as Grapetes!!!

Mas não é de Grapete que quero falar hoje, é de amor. Amor que transforma, amor que alimenta, amor que toca profundamente e indelevelmente a alma. Amor conjugal? Não, este é profundo mas não é visceral.

Falo de amor que corre nas veias, nas entranhas, que mesmo fora de hora é capaz de gestar e trazer à vida uma criança. Aquele amor que gruda em nós quando nascemos e não desgruda mais.

Amor de pais e filhos, consangüíneos ou não. Esse amor é para sempre.

É ele que faz o Grapete do meu avô ser único. É ele que nos faz lembrar de cheiros, gostos, imagens e emoções sem rosto ou forma. É nestas lembranças que nos refugiamos sempre que estamos perdidos ou com vontade de quebrar algumas regras.

E nossa pequena mão encontra a mão segura do adulto que nos leva de volta para o doce sabor da Grapete.

Isso é tudo muito bonito, mas... e quando nos falta a Grapete? Em que mão adulta nossa pequena mão se refugia?

Pior... quantas Grapetes eu tenho a oferecer a tantas pequeninas mãos que me procuram?

Por que o almoço sempre tem que vir antes da Grapete?

Que venham as boas surpresas de olhinhos brilhantes e mãos pequeninas que vão encher de vida e alegria o armazém de secos e molhados de nossas vidas.

Eu tenho muitas Grapetes que meu avô me reservou naquela casa de madeira verde no bairro Partenon.

 

Psic. Cladismari Zambon - CRP 06/115951

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